Catarata · Lente premium
Lente multifocal de catarata: trifocal PanOptix, FineVision, Synergy
Dispensar definitivamente os óculos — em todas as distâncias — após a sua cirurgia de catarata. Graças aos anéis difrativos gravados na óptica, a lente multifocal cria vários focos simultâneos: visão de longe, intermediária e de perto. Funcionamento, candidatos, modelos trifocais e resultados esperados.
A lente multifocal — e em particular a lente trifocal — representa a culminação tecnológica da cirurgia de catarata. Graças a anéis difrativos gravados na superfície da óptica, ela cria vários focos simultaneamente: visão de longe (condução, televisão), visão intermediária (computador, painel do carro) e visão de perto (leitura, smartphone). Resultado: uma independência dos óculos de 90 a 95 % nos estudos clínicos internacionais.
O Dr Tourabaly utiliza as três grandes referências de lentes trifocais disponíveis na França — PanOptix (Alcon), FineVision (BVI/PhysIOL) e Synergy (Johnson & Johnson) — após uma análise personalizada do seu olho e dos seus hábitos de vida.
Como funciona uma lente multifocal?
Uma lente monofocal clássica possui uma única potência óptica: a luz converge sobre a retina para uma só distância, geralmente a visão de longe. A lente multifocal distribui de forma inteligente a luz por vários focos graças a um relevo microscópico difrativo na óptica.
- Lente bifocal: 2 focos (longe + perto). Gama antiga, progressivamente substituída pelas trifocais.
- Lente trifocal: 3 focos (longe + intermediário 60–80 cm + perto 40 cm). Responde às 3 distâncias da vida moderna.
- Lente Synergy (EDOF estendido + foco de perto): abordagem híbrida que combina profundidade de campo estendida e foco de perto, particularmente adaptada ao olho astigmata e à visão intermediária prolongada.
As 3 referências utilizadas pelo Dr Tourabaly
PanOptix (Alcon)
A trifocal mais implantada no mundo. Concebida com um foco intermediário a 60 cm otimizado para o computador de mesa e o painel do carro. Boa tolerância aos halos noturnos graças à sua tecnologia ENLIGHTEN (otimização energética). Disponível em versão tórica para os pacientes astigmatas. Primeira opção para os pacientes ativos que usam computador + smartphone + leitura + condução.
FineVision (BVI/PhysIOL)
Primeira trifocal a surgir no mercado europeu (2010). Excelente visão de perto e intermediária. Perfil energético ligeiramente diferente da PanOptix — alguns pacientes preferem-na para a leitura de texto fino. Disponível em versão tórica (POD FT).
Synergy (Johnson & Johnson)
Abordagem híbrida: profundidade de campo contínua de longe a intermediário (tecnologia EDOF), complementada por um foco de perto. Oferece uma das melhores visões intermediárias do mercado, ao custo de halos noturnos por vezes mais marcados nos primeiros meses. Interessante para os pacientes que passam muito tempo no ecrã.
Quem é um bom candidato à lente multifocal?
A lente multifocal não é adequada para todos os olhos. A avaliação pré-operatória é determinante. O Dr Tourabaly propõe uma trifocal apenas se as seguintes condições estiverem reunidas:
- Córnea saudável e regular (topografia Pentacam sem sinal de ceratocone, sem cirurgia refrativa prévia ou então compatível)
- Retina íntegra — ausência de DMRI, ausência de maculopatia diabética, OCT macular normal
- Nervo óptico saudável — ausência de glaucoma evolutivo
- Filme lacrimal de boa qualidade — um olho seco grave degrada sempre o desempenho de uma multifocal
- Pupila de tamanho normal em condições escotópicas (5 a 6 mm) — para além disso, os halos podem ser incómodos
- Paciente motivado, informado, que aceite um período de neuroadaptação de 3 a 6 meses
As contrapartidas a conhecer
Nenhuma lente é perfeita. A trifocal tem 3 limites que é essencial conhecer antes de escolher:
- Halos e disfotopsias noturnas: 100 % dos pacientes relatam-nos nas 2 primeiras semanas, 30 % ainda os percebem aos 3 meses, menos de 5 % após 6 meses. A neuroadaptação cerebral elimina-os progressivamente.
- Ligeira redução do contraste: a distribuição da luz por 3 focos faz perder cerca de 10 % de sensibilidade aos contrastes. Na prática, impercetível em condições normais, ligeiramente percebido na penumbra ou sob a chuva à noite.
- Exigência de uma avaliação perfeita: a mínima patologia ocular associada (olho seco, maculopatia inicial, astigmatismo irregular) faz cair a satisfação. Daí a importância da consulta aprofundada.
Resultados esperados após implantação trifocal
| Distância | Visão esperada sem óculos |
|---|---|
| Visão de longe (> 4 m) | 10/10 em 92 % dos pacientes operados dos 2 olhos |
| Intermediária (60–80 cm, computador) | 10/10 em 88 % |
| Visão de perto (30–40 cm, leitura) | Parinaud 2 em 90 % (leitura de um jornal) |
| Independência completa dos óculos | 90 a 95 % dos pacientes segundo os estudos |
Preço e reembolso
O ato cirúrgico da catarata (bloco, anestesia, cirurgião) é integralmente comparticipado pela Segurança Social e pelo seguro de saúde complementar. O suplemento da lente multifocal/trifocal fica a cargo do paciente: 900 a 1 400 € por olho (1 200 a 1 700 € na versão tórica).
Um orçamento detalhado é-lhe entregue durante a consulta, antes de qualquer decisão. Muitos seguros de saúde de gama alta comparticipam total ou parcialmente o suplemento — é útil consultá-los na receção do orçamento.
Desenrolar da intervenção
A intervenção com lente multifocal decorre exatamente como uma cirurgia de catarata padrão — apenas muda a lente colocada na etapa 5. Duração total ~20 minutos, anestesia tópica (gotas), alta no próprio dia. A recuperação visual começa logo à noite, a estabilização completa — com neuroadaptação — leva 3 a 6 meses.
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Perguntas frequentes — Lente multifocal
Vou realmente conseguir dispensar totalmente os óculos?
Em 90 a 95 % dos pacientes, sim — para a vida quotidiana. Os 5 a 10 % restantes usam uma ligeira correção de apoio para tarefas específicas (leitura prolongada de texto minúsculo, costura fina, condução noturna em autoestrada escura). Nenhuma garantia formal pode ser dada, a resposta individual depende da anatomia e da neuroplasticidade.
Os halos são suportáveis?
Sim, para a grande maioria dos pacientes. Os halos são percebidos nas 2 primeiras semanas como «coroas luminosas» à volta dos faróis, depois o cérebro aprende a filtrá-los. Aos 6 meses, menos de 5 % dos pacientes consideram-nos incómodos no dia a dia.
É possível colocar uma trifocal se eu já fiz um LASIK?
Sim, sob condições. Um LASIK modifica a córnea e altera o cálculo da potência da lente. É indispensável comunicar ao Dr Tourabaly as suas medições pré-LASIK (se disponíveis). Fórmulas de cálculo específicas (Haigis-L, Barrett True-K) são então utilizadas para garantir a precisão do resultado.
Deve-se colocar uma trifocal nos dois olhos?
Sim, idealmente. Para tirar pleno proveito da tecnologia multifocal, é necessária a coerência binocular. Colocar uma trifocal de um lado e uma monofocal do outro dá resultados menos satisfatórios — salvo uma estratégia de «mix-and-match» discutida caso a caso (ex.: trifocal no olho dominante + EDOF no não dominante).
O que acontece em caso de insatisfação?
A insatisfação duradoura é rara (< 3 %). As opções são: (1) aguardar a neuroadaptação completa aos 6 meses, (2) retocar o eventual astigmatismo residual por LASIK ou PKR, (3) nos casos extremos, realizar uma troca de lente — gesto cirúrgico mais complexo mas possível.
A lente multifocal é adaptada à condução noturna intensiva?
Menos do que a monofocal ou a EDOF. Se você é motorista profissional noturno, camionista ou taxista, o Dr Tourabaly privilegiará geralmente uma monofocal premium asférica ou uma EDOF, que preservam melhor a sensibilidade aos contrastes em condições mesópicas.
Você é elegível para uma trifocal?
Uma avaliação completa determina em 1h30 se a trifocal é adequada aos seus olhos e ao seu estilo de vida.
Fontes científicas
- Zhu D. et al. Rate of Complete Spectacle Independence with a Trifocal Intraocular Lens : A Systematic Literature Review and Meta-Analysis. Ophthalmol Ther, 2023 (meta-análise PanOptix: independência dos óculos 91,6 % global; 95,9 % longe / 96,3 % intermediário / 89,6 % perto). DOI 10.1007/s40123-023-00657-5
- Alvarado-Villacorta R. et al. Surgical interventions for presbyopia. Cochrane Database Syst Rev, 2025. DOI 10.1002/14651858.CD015711.pub2
Referências consultadas no PubMed.
Comparação lente multifocal vs EDOF: qual a escolha para você
A principal alternativa à multifocal é a lente EDOF (profundidade de campo estendida). Ambas têm o seu lugar, mas respondem a prioridades diferentes:
- Multifocal — visa a independência total dos óculos, incluindo para a leitura fina. É necessária a aceitação dos halos noturnos. Ideal para um paciente disposto ao investimento de neuroadaptação e que quer minimizar os óculos.
- EDOF — visão de longe e intermediária excelente, leitura fina por vezes exigindo um auxílio. Halos noturnos nitidamente menos marcados. Ideal para um paciente prudente em relação aos halos ou que conduz muito à noite.
A sensibilidade individual aos halos é o fator discriminante mais importante. Uma discussão aprofundada em consulta, integrando os seus hábitos de condução noturna e o seu perfil emocional em relação aos compromissos ópticos, é essencial antes de decidir.
Perfis de candidatos à lente multifocal
O candidato ideal a uma lente multifocal apresenta várias características convergentes:
- Motivação forte para a independência dos óculos, incluindo para a leitura fina prolongada.
- Retina intacta — ausência de DMRI mesmo precoce, de retinopatia diabética, de membrana epirretiniana ou de edema macular. Um OCT macular pré-operatório de qualidade é indispensável.
- Astigmatismo corneano moderado ou corrigível por uma lente multifocal tórica. Um astigmatismo irregular (ceratocone frustro) contraindica a multifocalidade.
- Sem fragilidade psicológica importante em relação aos halos noturnos — a neuroadaptação pode levar 4 a 12 semanas, por vezes mais. Os pacientes ansiosos perante os sintomas visuais transitórios adaptam-se com menos facilidade.
- Atividades profissionais e de lazer variadas, com necessidades em todas as distâncias.
Halos noturnos e aceitabilidade
Os halos e encandeamentos (disfotopsias positivas) são a contrapartida óptica quase inevitável da multifocalidade. A sua intensidade varia consoante o modelo de lente, o diâmetro pupilar escotópico do paciente e a sensibilidade individual. Os estudos recentes sobre as trifocais de nova geração relatam halos incómodos em 5 a 15 % dos pacientes após o período de neuroadaptação, na maioria das vezes atenuados ou bem tolerados para além de 3 meses.
Para antecipar este fenómeno, apresento sistematicamente em consulta ilustrações concretas do tipo de halos esperados, e coloco a pergunta direta: «Preferiria ver alguns halos em contrapartida de já não usar óculos?» A sua resposta espontânea é muitas vezes o indicador mais fiável do seu perfil.
Dado-chave
Uma meta-análise internacional sobre as lentes multifocais relata uma taxa de satisfação de 85 a 95 % nos pacientes bem selecionados, com uma taxa de independência dos óculos de 70 a 90 % (Rosen et al., JCRS 2016, PMID 27026457).